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O perigo que vem de casa

11/07/2016

Resíduos perfurocortantes jogados fora de maneira irresponsável causam inúmeros acidentes, podem transmitir doenças e têm afastado dezenas de profissionais do trabalho. Sindi-Asseio quer conscientizar a população sobre o perigo que o descuido oferece à vida.

 

Os resíduos perfurocortantes provocam acidentes quase todos os dias. Um perigo diário que ameaça a saúde e até a vida dos coletores. O Sindi-Asseio tem se empenhado em garantir a segurança dos profissionais de conservação, asseio e limpeza urbana. Mas, mesmo assim, os acidentes continuam afastando dezenas de profissionais que precisam se recuperar dos cortes causados por resíduos perigosos jogados fora sem proteção. 

Ricardo Alexandre Caetano, coletor em Ribeirão das Neves e membro da diretoria do Sindi-Asseio, diz que já perdeu a conta de quantas vezes se feriu ao manusear os resíduos residenciais. “De 100 sacos que pegamos por dia, uns 80 oferecem esse tipo de risco. O meu último acidente foi com seringa e estou tomando remédios. Ainda não saiu o resultado dos meus exames, torço para não ter sido contaminado por nenhuma doença”, relata. 

Ricardo Caetano conta que o trabalho dos coletores – principais vítimas de quem descarta materiais cortantes de forma irresponsável – merece que a sociedade mude hábitos e adote a prevenção dentro de casa. “Se todo mundo passar a separar o lixo e dar destino seguro os acidentes vão diminuir bastante”, observa. 

Bom exemplo vem de casa

Mesmo com o alto número de acidentes, há quem faça a separação preventiva dos resíduos perfurocortantes. É o caso da jornalista Sara Lira, 26 anos, moradora de Betim. Ela admite se preocupar com o descarte os itens que oferecem risco de corte e contaminação. 

“Tomo o cuidado de embalar em várias folhas de jornal e, as vezes, em caixa de papelão. Isso vale para qualquer pedaço de vidro. Se for muito grande, também escrevo que há vidro ali para que o agente de limpeza urbana tome cuidado. Acho que isso é gentileza e cuidado com o próximo, e, neste caso, com o profissional responsável pela limpeza da cidade onde moramos”, revela. 

Para a fisioterapeuta Luana Queiróz a preocupação com o lixo mal descartado é uma questão de saúde pública. Ela também adotou há algum tempo a separação criteriosa do lixo como forma de evitar surpresas desagradáveis para os coletores. 

“Eu embalo com jornal ou saco de pão. Escrevo fora bem grande ‘vidro, cuidado!’. Geralmente compro latas que não precisam de abridor, com bordas não cortantes. Mas quando compro os que oferecem risco eu embalo com jornal e coloco sempre as tampas para dentro das latas. Acredito que isso é uma questão de cultura e educação. Os pais precisam ensinar esse tipo de atitude aos seus filhos e dar o exemplo”, comenta.

Especialista explica como descartar

Leticia Lima Soares trabalha com projetos de sustentabilidade em comunidades carentes no interior de São Paulo. Ela criou um projeto que ensina estudantes sobre a importância do descarte adequado de itens que oferecem risco aos coletores. 

“As pessoas não costumam se importar com os acidentes que podem causar por não embalar corretamente o lixo cortante. É preciso mudar de atitude já. Só assim para os resíduos serem destinados e boa parte deles reaproveitados”, aponta.

Leticia explica que a Resolução nº 306, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), de 7 de dezembro de 2004, determina que os materiais perfurocortantes devem ser descartados separadamente, no local de sua geração. Isso deve ocorrer imediatamente após o uso , e feito em recipientes de paredes rígidas, resistentes à ruptura e ao vazamento.

Os lixos devem ser resistentes ao processo de esterilização, com tampa, devidamente identificados como “perfurocorante” e com os riscos adicionais, químico ou radiológico também identificados “As pessoas não costumam se preocupar com essas coisas. Mas só de estar embalado corretamente já diminui o risco de acidentes. Se vier escrito em destaque esse perigo cai para quase zero", revela. 

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